Porque existo... Porque sou um ser particular e único no meio de todos os seres humanos...
sábado, 26 de junho de 2010
Inclusão Passos para o sucesso
domingo, 6 de junho de 2010
domingo, 2 de maio de 2010
Para Sempre...
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Carlos Drummond de Andrade
quinta-feira, 8 de abril de 2010
( Mario Quintana )
É um tempo propício à reflexão e à tomada de decisões, nem sempre fáceis... Um tempo para actuar... que tudo o que seja feito o seja com bom sentimento.
domingo, 21 de março de 2010
Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma
Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.
(Alberto Caeiro in "Quando Vier a Primavera")
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Poesia intemporal... para adultos que nunca deixaram de ser crianças
Foi um sonho que eu tive:
Era uma grande estrela de papel,
Um cordel
E um menino de bibe.
O menino tinha lançado a estrela
Com ar de quem semeia uma ilusão;
E a estrela ia subindo, azul e amarela,
Presa pelo cordel à sua mão.
Mas tão alto subiu
Que deixou de ser estrela de papel.
E o menino, ao vê-la assim, sorriu
E cortou-lhe o cordel.
Miguel Torga
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Avaliar...
O texto é de Inês Silva e está disponível aqui. Entretanto deixo-o transcrito para que alguém, se o quiser, também possa pensar...
"A avaliação depende de muitos factores e, quer queiramos quer não, é sempre pautada por uma boa dose de subjectividade, que deriva dos conhecimentos e interesses do avaliador. Por vezes, quando as classificações altas são solicitadas e exigidas por um grande número de agentes da nossa sociedade, quase não dando margem ao avaliador para contrariar o expectável (se o fizer, é o culpado dos maus ou falsos resultados), quem avalia faz por vezes uso dessa subjectividade para respeitar as metas de quem está do lado da maioria, evitando proceder a uma efectiva avaliação de competências. Esta exige a consciencialização, por parte do avaliado, do que foi o processo de que foi agente, radicada na medição da qualidade das aprendizagens que realizou, mesmo que essa avaliação não surja a posteriori representada num simples registo numérico ou outro. Os resultados hão-de surgir, transformados em saberes, valores e acções. Não é necessário que sejam sempre medíveis matematicamente, para constarem duma qualquer pauta a afixar.
Assim sendo, cada vez mais os sujeitos aprendentes procuram obter classificações que dêem conta do resultado do processo de que se sentem protagonistas, sem o serem. Explicando melhor: habituaram-se à pertinência do resultado obtido, traduzido numa mera classificação alta, de preferência, mesmo que esta não reflicta o que efectivamente se aprendeu/fez durante o processo. Esta realidade tem-se manifestado na substituição clara, ocorrida nos últimos tempos, da pergunta “O que aprendeste/fizeste?” pela interrogação perspicaz e interesseira “Que nota obtiveste?”.
Corre-se, pois, hoje em dia, atrás dos bons resultados e, consequentemente, dos quadros de mérito e do destaque nas pautas. É frequente o aluno perguntar ao professor: este trabalho conta para nota?
- Não, não conta. Serve apenas para que desenvolvas a tua capacidade de escrita.
- E desconta, se não o fizermos?
- Não, não desconta…
- Está bem! (Então não faço! – pensou.)
A preocupação pelas classificações e o descurar do processo de aprendizagem, que inclui o reforço de competências e aquisição de valores, úteis em situações futuras de trabalho efectivo (escolar ou não) e na resolução de problemas de vária ordem, são dois fenómenos enraizados numa sociedade competitiva que não se preocupa com o fazer bem e cada vez melhor para uma sociedade bem construída, mas sim com o fazer para adquirir algo imediato para cada indivíduo.
A contrariar estas avaliações, classificações e medições, que em nada contribuem para a formação intelectual e cívica de um sujeito, que se quer consciente da sua formação e ciente dos mais preciosos valores, surge uma outra realidade, destacada na edição do semanário Sol, de 18 de Dezembro de 2009:
A escola das diferenças
O primeiro período escolar está a acabar mas na Escola da Ponte não há classificações. O dia-a-dia num estabelecimento sem turmas, onde alunos dos 6 aos 15 anos aprendem ao seu ritmo, perguntam, pesquisam e entreajudam-se.
A reportagem em causa destaca a “ponte” existente entre o avaliador e o avaliado. O aluno avaliado é acima de tudo o seu próprio avaliador, uma vez que antes do final de cada dia de aulas cumpre o ritual de fazer a auto-avaliação do seu desempenho, face ao plano de trabalho traçado (objectivos e assuntos que terá de pesquisar). Ao longo do dia, trabalha no seu próprio ritmo mas sempre em equipa. E quando se sente preparado, solicita a avaliação, cuja classificação traduz com certeza a efectiva aprendizagem, uma vez que, antes de pedir para ser avaliado, tem de perceber se efectivamente fez bem o que planeou fazer e se soube estar em equipa. No fundo, toma consciência se, de facto, sabe trabalhar autonomamente na e para a sociedade a que pertence. O indivíduo não trabalha para si nem tem como objectivo máximo ver a sua nota destacada numa pauta afixada porque as boas notas só são conseguidas se ele revelar capacidades para trabalhar em equipa. Aliás, apenas os pais têm acesso às classificações. Assim sendo, a escola das diferenças promove as boas notas como mérito de um trabalho colectivo, nunca somente individual.
Nas outras escolas, as que não fazem a “ponte” entre o avaliador e o avaliado, é muito difícil separar o processo do resultado final e, por isso, o primeiro é esquecido e o segundo sobrevalorizamos, negociado e exigido. Caso idêntico é o de alguém que diz a outro: “Amo-te”. Classificou confortavelmente o seu sentimento com uma boa nota, sem olhar para o processo, que é bem mais difícil e trabalhoso: mostrar todos os dias e a todas as horas que o ama, através de acções, valores e saberes, partindo, se for preciso, de um plano. Manifestar o amor é muito difícil e exige um desenvolvimento intelectual e afectivo imenso, que só as escolas das diferenças são capazes de desenvolver. Sem avaliações, classificações ou medições."
